reflexões dia 7/7/21 às 22:22

 um pedaço de pano, sem vida, é um conglomerado de elementos químicos, dispostos de tal maneira que a "vida" não é possível naquela matéria. mas mesmo assim, tem tempo "de vida" útil, pois mesmo que demore muitos anos, um dia essa matéria vai se deteriorar.

igual a este objeto, a vida é um processo químico ao qual os vivos estão subordinados. nossos corpos estão se deteriorando, mas ao contrario do pedaço de pano, nós temos consciência disso e tentamos a todo custo nos manter funcionando, o máximo de tempo que der, mantendo nossas células se regenerado e não degenerando.

o pano não sofre com sua deterioração, mas nós, graças à essa força vital metafísica, sofremos. além de vermos nossos corpos envelhecerem, criamos senso de identidade: "mas o que será isso? esse grande conglomerado de elementos que formam células, que formam essa carcaça que carrego por ai, e essa mente pensante e aparentemente incansável?". esse grande pedaço de matéria ganhou uma consciência e um senso de sobrevivência - ao que parece, não posso deixar que esses elementos se desgrudem tão cedo, que essas células se decomponham tão cedo.


então, por causa desse senso, criamos uma identidade, pra proteger o corpo e a mente, e quando conseguimos fazer isso, chamamos de integridade e saúde. mas que loucura. e não para por ai: além de tudo, ainda somos capazes de gerar outras vidas dentro de nós, um pedaço de nós, um pedaço do mundo e do universo, que também ganhará uma consciência totalmente autônoma. a vida, mesmo sem um porquê exato, é um fenômeno incrivelmente lindo.

pense que a primeira vida surgiu com um monte de "ploc pluc", de junções de elementos de carbono, hidrogênio e outros, conexões - na minha imaginação, parece que se juntam como ímãs. e aí, do nada, dessas junções, uma coisa grudou na outra e isso formou a consciência, que é diversa pra cada grupo de ser vivo, mas é comum à todos: um vírus tem um tipo de consciência que o faz se multiplicar dentro do hospedeiro; já os humanos tem um tipo de consciência mega complexa, com instintos, pensamentos, sentimentos, etc.

então, "conhece-te a ti mesmo", disseram. eu sou um monte de células, de elementos químicos, que ganhou uma consciência. vivo no meio de outros grupos de células que também tem consciência, e outros que não tem. já que tudo é complexo, um grupo de conscientes chamado "humanos" criou rótulos e sistemas para simplificar o entendimento desse grande mistério da existência das coisas. e agora, filosoficamente falando, nosso papel é questionar o que fazemos e pensamos, pra não ser vítima do senso comum. que grande evolução!!

voltando à química da matéria, tudo tem os mesmos elementos, porém uma simples mudança na conformação dos átomos pode fazer aquilo virar suor, éter ou baunilha. vemos então que existe uma linha bem tênue entre a vida e a não-vida. mude algo pequeno e já não é mais a mesma coisa; vemos isso no contexto humano quando aparecem doenças ou má formação do feto.

por ser uma grande loteria de possibilidades, cada indivíduo é único, pois a vida se manifesta de infinitas maneiras. o que dizer então dos clones químicos? dos materiais feitos em grande escala que são exatamente iguais e, portanto tem a mesma conformação química de moléculas, assim como animais tendo seus DNAs clonados por cientistas e também planárias que do nada são cortadas ao meio e se duplicam? eu diria que somente os materiais não-vivos podem ser 100% clonados de fato, pois a consciência de cada indivíduo pode ser totalmente diferente, pois o contexto é enorme. até mesmo uma cadeira que é igual à outra, pode começar a enferrujar primeiramente, pois o contexto foi outro - talvez ela pegou chuva e oxidou, enquanto "seu clone" ficou dentro de casa e, portanto, ficou mais conservada.

entramos em outro tópico: o que conserva a vida? e as moléculas de tudo que existe? será que as moléculas de todo o universo uma hora vão chegar ao fim de sua "vida útil?". será que o universo não é tão infinito assim, mas somente nós é que não conseguimos compreender sua finitude? se moléculas se agitam dentro da atmosfera terrestre, também se agitam fora; e se aqui elas se conectam de modo a desfazer um pedaço de matéria que uma vez teve vida, talvez elas se conectem lá fora pra desfazer o grande plano universal multidimensional e impossível de explicar (mas possível de sentir, ao se pensar como um ser que faz parte do Todo).


ou será que no espaço além-Gaia, as coisas não tem vida, não se deterioram, não tem nem tempo "de vida útil"? se Gaia é um grande ser finito, tudo no universo há de ser, pois é feito da mesma coisa e constitui do mesmo plano; logo, o universo é finito, só não sabemos quando acabará, quando surgiu, como foi criado. mas que existe, existe, pois temos consciência e somos a prova disso. existe, pelo menos, em nosso grande sonho terrestre.

o sentido da vida humana é achar o sentido da vida. alguns acham que é usufruir dos prazeres e do dinheiro, do que é material e palpável; outros acham que é se refugiar em meditação; outros se tornam cientistas e querem desafiar deuses, querem encontrar a todo custo um modo de também criar vida em laboratório; outros se tornam demasiadamente religiosos, pois creem que a verdade é mística, acima de tudo, que não será entendida aqui neste plano e, além disso, o ser criador pode nos punir...

há muitas formas de se expressar como identidade, há muitas formas de ser como conglomerado de moléculas... a existência das coisas é inexplicável em essência. será que há alguém que nos olha? será que somos experiência de outra coisa muito maior e que nunca conseguiríamos imaginar ou entender?

adicional: percebi que é bem claustrofóbica a sensação de estar tudo ligado; não há vácuo entre meu corpo e o espaço terrestre. as moléculas de O2 estão coladas em minha face e quando eu respiro, elas entram. não há vácuo!!! e ao mesmo tempo, nada se toca e há vácuos entre cada partícula!! wtf???

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